segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ocultismo, Bananas e Celulares

Texto de Dudu Lopes.

VOCÊ GOSTARIA DE SABER como um ocultista experiente vê a discussão sobre qualquer tema relacionado ao mundo invisível? Então faça um exercício de imaginação.

Imagine um mundo composto por bananas. Um mundo que a ciência descobriu ser composto por bananas verdes, de vez e maduras.

Os ocultistas descobrem que existe uma outra coisa no mundo: os telefones celulares. Todos estão tão habituados à crença de que tudo o que existe são bananas que não enxergam os celulares, só enxergam bananas.

Surgem livros e relatos em todo o mundo de pessoas que se depararam com um celular. Poucos sabem o que fazer com ele, mas um punhado de pessoas insistentes descobre uma coisa aqui, outra ali.

Os rumores se espalham e os celulares são discutidos num programa de TV. O apresentador, com um ar sério, mas num tom levemente irônico, explica aos espectadores que algumas pessoas crentes acreditam terem descoberto uma banana mágica que nos permite a comunicação com outra pessoa distante, até do outro lado do mundo.

E o ocultista pensa: mas celulares não são bananas, menos ainda são mágicos.

O Médico

O primeiro entrevistado é um médico que afirma ter visto clientes com sintomas estranhos de indigestão que ele, como pessoa, não pode negar a estranheza dos fatos, mas, como médico e cientista, ele acredita que há uma explicação racional para isso tudo ainda que não saiba qual seja.

Mas há uma explicação racional - pensa o ocultista - pessoas estão comendo celulares pensando que é um tipo de bananas. Vão acabar morrendo.

O renomado médico e cientista continua dizendo que os celulares, se existem, podem ser perigosos. Pela amostra de sangue de seus pacientes, os celulares, se existem, têm o ph de bananas verdes e, por isso, devem ser triturados no liquidificador para serem ingeridos em forma de farinha.

Mas isso vai piorar mais ainda as coisas! – pensa o ocultista.

O Líder Religioso

O próximo entrevistado é um líder religioso, da famosa Igreja do Bananal Eterno. E questionado sobre se é verdade que os celulares existem e que permitem que nos comuniquemos com pessoas em lugares distantes, ele responde:

- Os celulares existem, isso é incontestável – responde o líder religioso. – Mas para vê-los é necessário acreditar e ter fé em Deus.

Se é incontestável, pra que acreditar? – pensa o ocultista. – E o que tem fé em Deus a ver com celulares?

- Para ver um celular - continua o líder -  é necessária a misericórdia Divina, que é obtida ao se entregar o coração ao Bananal Eterno e, após a morte, no juízo final, você será presenteado com 13 celulares virgens, nunca usados.

O que eu vou fazer com 13 celulares, e pra que eu vou querer um celular depois de morto? – pensa o ocultista.

- É importante - continua o sábio líder de milhões – que tenhamos muita fé para que sejamos presenteados com um celular na vida futura.

É, mas na vida presente é necessário dinheiro e encontrar uma loja que tenha um celular num preço acessível e que trabalhe com a sua operadora – pensa o ocultista.

O Historiador

O próximo entrevistado é um historiador.

Ele conta que existem relatos em várias culturas pelo mundo do encontro com um celular, mas que isso não passa de criação da necessidade humana de entender o desconhecido, por isso, os relatos das experiências com os celulares são diversos e muitas vezes contraditórios, na mitologia grega eles são usados para se comunicar com pessoas distantes como em outros países, na mitologia romana eles são usados para se comunicar com pessoas da mesma cidade, em diversas mitologias pagãs eles são usados para assistir filmes, ouvir músicas, tirar fotografias, filmar, fazer cálculos, escrever, ler, em algumas mitologias mais modernas são usados até para indicar a sua posição no planeta! Segundo o historiador, toda essa divergência nos relatos prova que os celulares não existem, são somente fruto da maravilhosa imaginação humana.

O ocultista ri.

O Parabananólogo

Outro entrevistado, um sacerdote religioso especialista na novíssima ciência da parabananologia, afirma categoricamente:

- Celulares não existem! O que existem são bananas fossilizadas em formas cúbicas ou semi-cúbicas!

- Mas elas se comunicam com pessoas distantes? – pergunta o entrevistador.

- Isto é bobagem! A ciência já comprovou que para se comunicar com pessoas distantes são necessários dois copinhos de papel e um barbante, não existe barbante no mundo resistente o bastante para nos permitir tal feito de uma comunicação com seres de outra cidade, quanto mais do outro lado do mundo!

O Físico

O próximo entrevistado, um físico formado em Bananofísica Quantificada, concorda com o parabananólogo e acrescenta:

- Nosso planeta é formado por bananas, bananas prata, bananas ouro, bananas da terra e uma infinidade de bananas todas bem conhecidas pela ciência. Não há registro de nenhuma banana parecida com um telefone celular.

Porque telefones celulares não são bananas – pensa o ocultista.

- Com toda a nossa tecnologia nunca encontramos nada nem remotamente parecido com um celular. O Instituto de Busca e Definição de Bananas de Massachusetts, EUA, utilizou o mais moderno rastreador de bananas já inventado pelo homem, que utiliza partículas de bananas prata para refletir a cor infra-amarela emitida pelas bananas e nada foi encontrado onde o relato de dúzias dos chamados usuários de celular indicava a existência de um celular.

Deve ser porque telefones celulares não são bananas... – pensa o ocultista com ironia.

O Ex-Crente

O depoimento de um ex-crente do celular é emocionante. Ele encontrou um celular e desperdiçou anos de sua vida tentando ouvir alguém do outro lado. Tentou de tudo, ficou dias sem comer somente repetindo o mantra “Alô.” com o celular na orelha e absolutamente nada aconteceu. E hoje ele acredita que só existem bananas.

- Não acredito na existência de celulares - sentenciou.

Ligar o aparelho teria ajudado muito – pensou o ocultista.

Outro depoimento emocionante é de uma mulher que ao viajar para o Himalaia encontrou um ancião que lhe disse como ligar o aparelho. Ela assim o fez. Mas tudo o que conseguiu foi ver uma tela luminosa e ouvir alguns ruídos musicais. Por mais que repetisse o mantra “Alô.” não conseguia nenhuma comunicação.

Antes de desistir, procurou uma especialista, uma ex-atriz famosa que havia escrito livros sobre o assunto, ela lhe disse que a tradição indicava que era necessário colocar um chip dentro do celular e para isso ela teria que pagar uma pequena fortuna para fazer uma regressão até uma vida passada onde receberia o sinal de onde estaria uma banana com o chip em seu interior.

Compreensivelmente, ela desconfiou da especialista e resolveu procurar o chip por si mesma. Durante anos amassou várias bananas até encontrar uma semente, coisa tão rara que ela teve certeza que era o chip. Inseriu o “chip” no celular mas nada aconteceu. E ela agora acredita que tudo não passou de imaginação.

Semente de banana não é chip, nem com muita dedicação de um crente uma semente de banana vai funcionar como um chip – pensa o ocultista.

O Biólogo Ateu

O último entrevistado é um biólogo, famoso mundialmente, e líder de um grande movimento ateísta.

- A mente humana é maravilhosa e capaz de criar alucinações poderosas – explicou o biólogo com muita condescendência. – Acredito que as pessoas são honestas em suas afirmações, que acreditam mesmo que viram bananas mágicas, mas nenhuma delas conseguiu provar a existência dessas bananas. São apenas alucinações causadas pela necessidade de acreditar em um poder superior. Um dos mais conhecidos divulgadores nessa crença em telefones celulares, Steve Jobs, morreu de câncer. Se existisse um aparelho tão poderoso, que faz tantas coisas surpreendentes, ele não teria curado seu câncer com esse aparelho?

Não. Porque telefones celulares não tem nada a ver com curar coisa alguma, e nem são um “poder superior” – pensa o ocultista.

E o respeitável biólogo desafia:

- Se realmente existem bananas mágicas, por que ninguém nunca apareceu com uma? Por que os celulares são vistos por uma pessoa e não por outras? Por que quem viu não mostra pra quem não viu?

É simples. Pra se ver celulares é necessário parar de ver bananas. Não é uma questão de se ver celulares, mas de se parar de ver bananas. Parar de pensar em bananas, parar de pensar pelas leis das bananas, e isso não é nada fácil, e é algo individual. Questionar as coisas pelo que são, da forma que se apresentam, e não forçando que um celular se encaixe nas leis das bananas, é assim que descobrimos os telefones celulares.

E isso é perigoso? É. Porque uma ligação errada pode lhe pôr em contato com alguém sem escrúpulos que lhe diz numa voz sem rosto, através de seu celular, que você deve louvar o celular como o Deus das Bananas. Mas um celular não é Deus e nem tem nada a ver com bananas, e se o seu bom senso não ajudar nessa hora, você enlouquece por causa de um reles celular.

Bananas são importantes, e celulares são importantes. Você pode até comprar bananas usando um celular, facilitando as coisas, mas um celular não substitui bananas.

E entre deixar de comer bananas e morrer por inanição por dedicação a um celular, ou se manter preso à crença de que só existem bananas, atenha-se à última opção, pelo menos vai estar alimentado.

A Moral da História

Se você não entendeu nada dessa historinha é porque você ainda pensa somente em termos de “bananas”.

Comece a questionar as coisas à sua volta, a imprensa, os políticos, a moralidade, a tribo a que pertença; questione por que dizem que é bom beber líquidos gaseificados e inúteis, por que uma droga é proibida e outra é alardeada; por que alguns livros sagrados de religiões dominantes aceitam a escravidão de outros povos como algo natural, por que grupos de religiões orientais dizem que “meditações” e “iogas” são panaceias para todos os males; por que, por que, por que...

Com esse exercício as "bananas" começam a sumir e um dia, nessa vida ou em outra, pode ser que você se depare com um “celular”; e, se tiver sorte, com um usuário experiente ou um bom guia do usuário.





3 comentários.

Fernando Franco disse...

Olá Dudu!

Realmente, há muita diversidade em nosso planeta. Custei a entender e aceitar isso. E desde então busco usar lentes mais potentes para perceber a realidade, que existe em níveis. Sei que somos mais do que pensamos ser. Maturidade, lucidez, soberania. Com tais ingredientes vamos seguindo em nossa jornada tridimensional e compartilhando novas visões.
Grande abraço,
Fernando Franco

Fabio Gomes disse...

Não vejo nenhum celular pq roubaram o meu.

Canto do Dudu - Dudu Lopes disse...

Maturidade, lucidez e soberania sobre as próprias ideias é o principal, os "celulares" vêm em seguida.

Um abração,
Dudu.

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