domingo, 14 de maio de 2017

Política e Espiritualidade

Texto de SWAMI TILAK em 1984.

NECESSITAMOS de uma revolução no mundo. Há pessoas que falam sobre revolução, mas esta revolução se refere somente às coisas materiais.

Eu pessoalmente creio em ou­tro tipo de revolução — a Revolução Espiritual. Esta revolução somente é possível quando nós mudamos por completo nosso pensamento.

Falta o equilíbrio em todos os campos da vida. Por isto o homem está muito agitado. A agitação humana é uma característica em cada pessoa. Cada pessoa está terrivelmente desequilibrada.

Mais Leis

E todos pensam que a solução deste problema é fazer cada vez mais e mais leis, e nenhuma pessoa está disposta a seguir as leis.

E, aquele que promulga as leis, certamente viola as leis. Formam-se as leis somente para os outros, não para si mesmo. É um grande problema! “Todos os outros têm que se­guir as leis, exceto eu”.

Mais Governo

Eu posso falar em qualquer parte do mundo sobre a ordem, ou sobre o que poderia fazer um Governo. O Governo nada pode fazer. O Governo pode governar umas pessoas, mas quando todo o povo está contra a ordem, qual o Governo que pode Governar assim? O Governo reflete somente a de­terminação do povo.

Então o homem tem que governar a si mesmo primeiro.

Nas situações anormais, podemos usar a força exterior; mas, quando sempre usamos a força exterior, isto significa que a ordem não pode continuar vitoriosa por muito tempo. Não pode. É verdade.  

Mais Esquerda ou Mais direita

Assim também, quando sentimos uma grande inquie­tude em todas as partes, já não é mais problema com um determinado tipo de sistema. Não é mais este ou aquele sistema. 

Geralmente quando sentimos esta grande inquie­tude em todas as partes do mundo, temos de entrar na consciência própria do homem. 

Temos que fazê-lo.

O ho­mem tem que pensar apropriadamente, profundamente. Não podemos dizer que o problema é de um brasileiro, ou de um indiano, ou de um desenvolvido alemão.

O problema neste momento é humano!

Mais Capitalismo ou Mais Comunismo

Felizmente eu tenho visitado quase todo o mundo. Os países capitalistas, os comunistas, os países do terceiro mun­do, e até do quarto mundo. Temos mundos e mundos.

E qualquer tipo de mundo trata de provar que é melhor que os outros, mas em todos existe o mesmo problema.

E formam-se muitos partidos no mundo, em todas as par­tes. Este partido, aquele e mais partidos.

E vocês sabem bem que nenhum partido pode resolver os problemas, por­que todos os partidos têm os mesmos problemas.

Antes de estar no Governo dizem uma coisa e depois de estar no Governo têm os mesmos problemas! Então não podemos culpar os partidos, não podemos culpar o Governo, não podemos culpar o sistema.

Mais Humanidade

O problema existe na consciência do próprio homem! Enquanto o homem não mudar a si mesmo, os sistemas não podem fazer nada.

O homem tem que revolucionar-se inter­namente.

E esta revolução está relacionada com o conheci­mento espiritual, porque eu não sou escravo de nenhum sis­tema!

Eu tenho que formar a mim mesmo, eu não quero disciplinar-me para satisfazer este ou aquele sistema.

Fonte: Jnana Mandiram.



domingo, 19 de abril de 2015

Magia Negra e Inocência

Texto de LUIZ DA ROCHA LIMA
No livro “Luta Contra a Bruxaria”.

Luiz da Rocha Lima - clique para o site do autor

DEVEMOS DESARRAIGAR de nossas mentes a ideia de que o mago negro não pode prejudicar a nós outros, porque seguimos a senda reta ou porque é vil ou perverso.

É uma ideia equivocada difundida para evitar que o homem se fortaleça e propagada pelos seguidores do caminho negro.

É tão insensato quanto imaginar que, se um boxeador profissional estivesse boxeando com um menino, este ganha­ria, porque sua alma é pura.

Milhares de pessoas carecem de suficiente ambição para desenvolver a força necessária.

Pureza Impura

Vivem honestamente como bons cristãos, mas são tão fragilmente puros que se tornam alvo fácil para qualquer um aproveitar a oportunidade. Não são negros em si mesmos, porém são do tipo que facilita a perpetuação da magia negra.

É inegável que, em última instância, o Bem triunfará e que o mago negro terá de cair vítima de seus próprios excessos; é também uma verdade literal, porém, que muitos terão de agachar a cabeça ao passo do tirano, e só os fortes estarão seguros.

A geração atual de gente boa, em média, carece em absoluto de possibilida­des para resistir aos embates da magia negra. Somente os insensatos subestimam este perigo. É o Carma que age sobre as criaturas invigilantes; daí ela ser cognominada de Magia de Redenção pelos espíritos de Luz.

Ignorância não é Defesa

Chegamos a um ponto em que a ignorância é um crime e merece mais sério castigo. A ignorância não é a magia negra, porém constitui atualmente o maior aliado do mago negro.

Os que não conhecem algo melhor estão constantemente entorpecendo o trabalho dos demais, e esse é o fruto da indolência.

Quando intentamos violar as leis divinas, quebrantamos nosso corpo e tornamos negativa a nossa consciência, abrindo aqueles centros de nosso Ser que nos expõem a ser influenciados e às vezes obsidiados pelas forças negras.

Isto constitui um crime quase tão grande quanto o de exercer a magia negra.

O homem deve compreender que não é possível nenhum compromisso ou pactos entre o Mal e o Bem; ou está de um lado, ou do outro e, quando lhe aparece a dúvida, esta é um atributo de Satã.

Encaremos este problema imparcialmente, nem com temor e nem com de­masiada confiança.

Com humildade e contrição reconheçamos que o trabalho permanente que as forças trevosas realizam no mundo é muito real!

Cientes deste fato bem grave, embandeiremo-nos e unamo-nos aos irmãos de Luz que também porfiam incessantemente neste prélio em prol das almas hu­manas.



domingo, 5 de abril de 2015

A Vida no Relativo e no Absoluto

Texto de SWAMI TILAK.

A atividade é a vida, mas a tranquilidade é a finalidade da vida.
Swami Tilak.

RESPEITÁVEIS MÃES e irmãos, boa noite. Este é o segundo dia em que estamos aqui com vocês. [*]

[*] Esta foi a segunda conferência proferida por Swami Tilak no auditório do Ministério das Minas e Energia, em Brasília, no dia 20 de outubro de 1973.

Quando eu encontrei meu mestre, meu guru, ele me perguntou:

– Qual a finalidade de tua vida?

Eu respondi:

– Gurudeva, eu quero servir a toda a humanidade.

Primeiro, Eu

Naquele momento ele riu e disse:

– Quem pode servir a toda a humanidade? – e depois contou uma história. - Havia um discípulo e um dia seu mestre lhe perguntou:

“– O que você quer fazer?

“– Eu quero cobrir toda a terra com peles, porque na terra existem muitos espinhos que machucam as pessoas ­respondeu o discípulo.

"“– Onde podes conseguir tantas peles? Como é possível? E também não podes conseguir peles sem matar as criaturas. E, depois, quando toda a terra estiver coberta com peles, não restará lugar algum para crescer nada. Então todas as pessoas irão morrer sem comida.”

Então eu perguntei:

– Gurudeva, que posso fazer?

E ele respondeu:

– Você tem que calçar sapatos, nada mais, e depois não ter nenhuma perturbação, nenhum medo dos espinhos.

Em suma, as palavras do meu mestre indicavam que a pessoa tem que obter sabedoria para eliminar todos os problemas que existem em sua vida. Aquele que não pode resolver seus problemas, não pode ajudar ninguém no mundo.



segunda-feira, 23 de março de 2015

Para Que Sofro?

Texto de Huberto Rohden.

A SAÚDE É natural, a moléstia é desnatural.

Ninguém procura explicar o que é natural, todos querem explicar o que é desnatural.

Por que é que sofro isto ou aquilo? O primeiro pensamento é o de um castigo infligido por algum ser invisível, algum Deus vingador. Castigo por quê? Por mal cometido, algum pecado.

Mas, se eu não tenho consciência de pecado algum, como dizia Jó,  meu pecado deve ter sido cometido, então, numa existência anterior cuja memória não persiste na minha encarnação atual.

Por que sofro?

Mas, o que mais importa não é saber por que sofro, mas sim para quê.

A causa do meu sofrimento é misteriosa, mas a finalidade do meu sofrimento é clara. Sofro para evolver, ou para me libertar de alguma impureza. Se criei a causa, posso também aboli-la.

Se o homem, quer desta quer daquela filosofia, conseguisse ascender a regiões superiores, ultrapassando a zona da matéria e invadindo os domínios do espírito, desapareceria todo o problema e toda a problemática do sofrimento – porque desapareceria o próprio sofrimento compulsório.

Assim como a pecabilidade gerou a passibilidade, do mesmo modo a impecabilidade produz necessariamente a impassibilidade. O erro na zona espiritual se chama pecado, o erro na zona material se chama sofrimento. Sendo aquele a causa deste, é lógico que o efeito (sofrimento, passibilidade) não pode ser definitivamente abolido sem a abolição da causa (pecado, pecabilidade).

Apenas em caráter transitório, intermitente, esporádico, é o sofrimento abolido no plano do pecado; mas, para a abolição permanente, radical e definitiva do sofrimento, requer-se a destruição radical e permanente do pecado e da própria pecabilidade.

Inteligência e Razão

Com o despontar da inteligência começou o mundo a pecabilidade, que, não raro, acaba em pecado. “Espinhos e abrolhos”, “trabalhos no suor do seu rosto”, “parto por entre dores” são as consequências da intelectualização do homem, da mulher, porque a zona do intelecto é a zona da pecabilidade.

Onde não há intelecto não há o “conhecimento do bem e do mal”, não há oscilação entre a luz e as trevas, entre o positivo e o negativo. Quando o homem comeu “do fruto da árvore do conhecimento”, quando o homem sensitivo do Éden se tornou o homem intelectivo da serpente, entrou ele na zona da pecabilidade, e pecabilidade quer dizer passibilidade compulsória.

Para se libertar do sofrimento é necessário que o homem se liberte da pecabilidade e do pecado. De que modo? Perdendo a inteligência, essa gloriosa conquista da humanidade post-edênica? Não pela perda desse dom divino, mas pela integração da inteligência na razão, isto é, no espírito.

Que poder é esse que nascerá das profundezas da própria natureza humana e sujeitará a seu domínio a própria inteligência? É o poder da Razão, do Espírito divino latente no homem.

Um dia, esse espírito acordará – e já acordou plenamente, pelo menos num representante da humanidade, no “filho do homem”, no homem por excelência.

Que é que fará acordar no homem pecador e sofredor de hoje esse espírito divino, a Razão, o eterno Lógos, seu verdadeiro Eu divino? A oração, a frequente e intensa submersão no oceano da divindade, a comunhão com Deus, o permanente “andar na presença de Deus”.



domingo, 8 de março de 2015

Inteligência e Razão

Texto de DUDU LOPES.

Ganesha - clique para o site do artista

VOU FALAR de duas partes que compõe o ser humano. E vou chama-las de inteligência e razão.

A inteligência é a aquela parte prática que enxerga as estratégias para alcançar os objetivos enquanto a razão é aquela parte que lida com o que a inteligência não alcança.

As pessoas em geral têm a concepção errônea de que existe apenas corpo e mente. Na verdade, existem muitas partes que integram uma pessoa e essas partes se dividem em outras partes. Como a percepção dessas partes varia muito, não existe um consenso de o que são ou como devem ser chamadas; assim, todas as escolas de estudo - a ciência e as várias religiões - dão nomes diferentes pra mesma coisa e evidenciam umas e ignoram completamente outras. Pra completar, a mesma palavra pode ser usada por escolas de estudos diferentes para designar partes diferentes do que somos.

O que chamo de inteligência e razão pode não se enquadrar no lugar comum em que se entende esses termos.

Fazendo seus Planos

Por exemplo, uma pessoa pode pensar em estudar e trabalhar para conseguir uma melhora nas suas condições profissionais, e cria estratégias a respeito usando sua inteligência, busca recursos financeiros para as despesas com os estudos, adapta horários e renova o entusiasmo animando a vontade de prosseguir.

A inteligência não é suficiente para abarcar os dados de uma questão, é necessário usar a razão. A razão é aquela parte que faz "cair a ficha" e, no nosso exemplo, a ficha poderia ser que a saúde não seria o suficiente para conseguir trabalhar e estudar, ou a falta de tempo poderia minar a relação com o cônjuge, ou o afã de trabalho e estudo pode vir a gerar uma aceleração interna levando o indivíduo a perder atenção, o que pode gerar acidentes de carro, atropelamentos ou acidentes domésticos e de trabalho.

Aprimorando seus Planos

Para evitar essas más consequências do projeto de nosso exemplo, devemos nos voltar à inteligência novamente e criar estratégias e estruturas. No entanto, pra aplicar as estratégias – por exemplo, separar um tempo para o cônjuge ou para se desacelerar – não basta a inteligência ter criado as estratégias, organizando os horários, se a razão não dá força para contornar ou evitar as circunstâncias inesperadas como o trânsito, males físicos como uma indigestão ou uma cólica menstrual, ou a doença ou morte de um parente, a gente não consegue cumprir as estratégias que a inteligência criou.

Numa análise inicial, parece estranho associar à razão a força necessária para se evitar uma circunstância que tem causas externas e, aparentemente, fora de nosso controle. Mas a razão é superconsciente, isto é, tem acesso a informações que são completamente invisíveis à inteligência.

Protegendo seus Planos

A razão pode enxergar a possibilidade de um acidente daqui a quatro ou cinco horas e tomar decisões para evita-lo, levando a inteligência a elaborar uma sucessão de ideias que leve, por fim, à ideia da possibilidade do acidente ou pode inspirar uma intuição vaga com um temor sobre o futuro ou, simplesmente, fazer o indivíduo tomar decisões automáticas e por debaixo dos panos da consciência que levariam, no nosso exemplo, a evitar o acidente.

Enfraquecendo a Razão

Se a inteligência se aprimora através de exercícios intelectuais, estudos e informações; a razão se aprimora através do equilíbrio. Uma vida agitada, cheia de entusiasmo por tudo e na maior parte do tempo, cheia de desejos por ganhos e alegrias na maior parte do tempo, cheia de desejos por gastos e festividades na maior parte do tempo, gradualmente vai enfraquecendo o acesso da razão à vida e à consciência, nos deixando cada vez mais à mercê do acaso. Amarguras, revoltas por decepção com a vida, falta de esperança e outros estados mórbidos, assim como o hábito de usar drogas como a cerveja pra se sentir bem com a vida ou pra conseguir levar a vida, também enfraquecem a razão.

Fortalecendo a Razão

A razão é a ponte para o melhor de si mesmo. E fortalecer a razão - seja de forma religiosa através da oração ou lembrar-se da Divindade na forma de Jesus Cristo ou Krishna ou aquela que lhe for mais afim, seja de forma não religiosa como exercícios de relaxamento ou, simplesmente, parando pra nada como se parasse para fumar um cigarro sem realmente fumar – é um ato que não deveria ser negligenciado porque uma pessoa precisa de educação para a inteligência mas também precisa de equilíbrio para a razão.

No Hinduísmo, Ganesha é o símbolo da razão, por isso, também é o símbolo daquilo que elimina os obstáculos.



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